26/03/2012 – Na noite desta segunda-feira, 26, cerca de 50 moradores da
Vila Kunz reuniram-se na Escola Municipal Presidente Castelo Branco para
debater formas de reduzir a violência no local. A audiência pública foi
promovida pela Comissão de Segurança – integrada por Jesus Maciel
(PTB/secretário), Sergio Hanich (PMDB/relator) e Volnei Campagnoni
(PCdoB/presidente). Os vereadores haviam sido procurados por
representantes da comunidade, preocupados com o alto índice de assaltos a
comércios e residências.
O presidente da Câmara,
Gilberto Koch (PT), abriu os trabalhos e destacou a importância da
iniciativa. Jesus lamentou os problemas que vêm ocorrendo no bairro.
“Mas tenho certeza de que, se nos unirmos, vamos encontrar uma
maneira de minimizar essa situação”, disse. Serjão frisou que o
combate à violência passa por melhorias na educação, na
infraestrutura e na oferta de empregos.
Críticas à
legislação
O diretor da Promotoria
de Novo Hamburgo, José Nilton Costa de Souza, destacou que a
sensação de insegurança tem raízes na política do governo
federal, passando pelas ações do governo estadual e do Poder
Legislativo. “Todo mundo tem sua parcela de culpa. A cada ano,
parece haver uma liberalização na lei penal.” Ele criticou, entre
outras coisas, as possibilidades de redução de pena através do
trabalho e do estudo. “Os 20 anos se transformam em cinco.” Para
Souza, mais policiamento, a preservação do local do crime e das
provas, além de maior proteção à testemunha, ajudariam a reduzir
os números atuais.
Marcos dos Santos,
representando a direção da Guarda Municipal, disse que a corporação
está disposta a ouvir sugestões da comunidade. O delegado Aírton
Martins, titular da 3° DP, destacou que a crise da família e o uso
de drogas são fatores que devem ser levados em consideração. Ele
também apontou falhas no atual sistema jurídico brasileiro. “Não
existe ressocialização de quem é preso. Quem é condenado logo
está na rua.” Martins finalizou lembrando que a colaboração de
todos é fundamental para que as investigações deem resultados.
A importância da
articulação
O secretário executivo
do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, Mauro José da Silva,
afirmou que o trabalho em conjunto dos diversos órgãos ligados à
segurança tem possibilitado a realização de várias ações. “É
de suma importância essa visão multidisciplinar”, disse,
destacando também o papel da prevenção através do resgate social.
O secretário municipal
de Segurança, Danilo de Oliveira, falou que ouvir as demandas ajuda
a traçar alternativas. O capitão Wagner Wasenkeske, do comando da
Brigada Militar, sugeriu que fossem realizadas mais reuniões como
essa. “Se me disserem quais são as necessidades, poderemos
ajudar”, disse.
O vereador Ito Luciano
(PMDB) afirmou que o eleitor tem de buscar respostas junto a seus
representantes – como estava sendo feito. “Nós não vamos
resolver os problemas, mas vamos encaminhar as reivindicações.”
Alex Rönnau (PT) pediu mais investimentos em educação religiosa.
Para Luiz Carlos Schenlrte (PMDB), o abrandamento da legislação e a
redução da autoridade dos pais estão entre as causas dos problemas
enfrentados. “Temos que agir em Brasília, pois são os deputados
federais que fazem as leis.” Betinho disse que no bairro onde mora,
o Santo Afonso, as pessoas também estão com medo – porém, devido
ao elevado número de homicídios, a polícia tem se mostrado mais
presente.
Reivindicações e
sugestões
Um morador que não
quis se identificar afirmou que não há policiamento no bairro. “Tem
um ponto de venda de drogas na minha rua.” Uma senhora afirmou que
o problema maior do local é o uso de drogas entre os mais jovens. “O
que o Município faz para tirar as crianças das drogas? O ladrão
não começa roubando carros”, ponderou.
Afonso Kleemann,
proprietário de um mercado, disse que sofreu três assaltos em um
mês e, por isso, procurou os vereadores e outras autoridades. “A
polícia presente inibe o crime.” Além disso, salientou que os
políticos locais devem levar as demandas da população aos
deputados e senadores. Irene dos Santos, que trabalha em uma padaria,
também relatou problemas com assaltos. “Dá até medo de
trabalhar.”
Ari Daltoe contou que
seu carro foi roubado duas vezes. Segundo ele, temos, sim, leis
rígidas, mas para quem paga imposto e contribui para o
engrandecimento do Brasil. Outro morador que não quis se identificar
disse que mora perto da delegacia e sabe das dificuldades enfrentadas
pelos policiais. Mas relatou que, quando um assalto a um comércio do
bairro foi comunicado à Brigada Militar, nada foi feito.
“Tudo começa pela
educação”, apontou Luís Almeida. Ele pediu que a Guarda
Municipal volte a ficar perto da escola, para que alunos e pais
sintam-se mais seguros. “E é preciso impedir a entrada de drogas
na cidade.” João Valderi disse que é preciso denunciar os
problemas, sem medo, e combater as drogas. Cláudia Limongi, moradora
do bairro e professora, salientou que a vila precisa de trabalho
integrado, com atendimentos nas área de serviço social e
psicologia. “Não temos praça – só um espaço aqui na escola. E
as mães vêm solicitando cursos, mas não temos o que oferecer.” A
falta de limpeza nos terrenos também prejudica a segurança,
afirmou.
Resoluções
O secretário de
Segurança, Danilo de Oliveira, garantiu que a Guarda Municipal
estará mais presente nas proximidades da escola. Sobre o último
concurso, relatou que foram mais de 800 inscritos – mas apenas 40
passaram e 26 concluíram o processo. “Vão entrar 20 guardas.” O
vereador Jesus disse que as reivindicações feitas serão repassadas
pela Câmara a todas as autoridades competente. Betinho frisou que,
sempre que a comunidade chamar, o Poder Legislativo vai estar
presente. Para concluir, divulgou o Disque-denúncia: 181.Fonte: Câmara Municipal

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